Redescobrir

As pequenas grandezas no caminho

História aos cacos

Depois da péssima experiência que tivemos com os tramites imigratórios na Bolívia, decidimos que iriamos continuar nossa viagem pelo Brasil mesmo, o próximo destino seria Rondônia. Passamos um dia em Vilhena, uma cidade que se desenvolveu bastante industrialmente, há muitos comércios e a população pelo que pudemos escutar no pouco tempo que estivemos lá, era bem satisfeita com a qualidade de vida e o clima local. Parecia muito com o bairro de Santo Amaro em São Paulo, e apesar da satisfação dos populares, não havia muito atrativo turístico nem cultural, então seguimos viagem para a capital Porto Velho, com intuito de conhecer a histórica inacabada estação de trem Madeira-Mamoré.

Comecei a sondar alguns contatos pelo Couchsurfing e consegui duas pessoas que se dispuseram a nos receber em suas casas, sendo assim escolhemos ir para o primeiro que nos respondeu enviando seu endereço e telefone de contato, deixando a segunda opção para caso tivéssemos algum problema ou o individuo fosse um tarado ou sócio-pata.

Assim que desci do ônibus já pude notar uma grande quantidade de negros que falavam francês, a maior parte do Haiti e Guiana Francesa. A diversidade imperava na cidade, tanto de estrangeiros quanto de brasileiros de outros estados, o difícil na verdade era encontrar algum Rondoniense nativo, a maioria era a primeira geração no estado, de pais que vieram buscar uma oportunidade de vida melhor em Porto Velho.

Chegamos na casa do nosso Couchsurfing, Thiago nos recebeu, um geólogo descendente de alemães que veio do sul do país para trabalhar em uma mineradora da região, boa gente. Ele tinha acabado de chegar e conhecia a cidade tanto quanto nós, e apesar de ter os horários bem ocupados com o trabalho foi extremamente receptivo, nos deixou bem à vontade com um quarto só para nós e acesso as chaves da casa, no mesmo dia em que nos conheceu.

A cidade tem aspectos históricos bem interessantes e uma vida cultural intensa, apesar de pequena há diversas galerias e museus. O “Madeira-Mamoré-Railway”, tinha como objetivo facilitar o transporte de borracha amazônica da mata até Porto Velho, recebeu investimento pesado de empresários norte americanos, tornando-se assim um grande atrativo para trabalhadores de todo canto do mundo. Com a queda no preço da borracha brasileira, devido ao plantio da seringueira na África e Ásia pelos ingleses a estação entrou em decadência.

O turismo é muito mal explorado, os atrativos da cidade possuem um grande potencial, porém estão jogados às traças. O museu Madeira-Mamoré estava fechado em um domingo e em todos os outros dias que tentamos visitar, ninguém sabia nos informar se abriria algum dia da semana, os trens que estavam fora do museu estava todos enferrujados, com as placas que faziam parte do forro desmanchando, podendo até causar algum acidente com as crianças e turistas desavisados que subiam na estrutura.

Apesar dessas questões a cidade tem um clima bem agradável, as pessoas são muito amáveis e aproveitei bem meus dias por lá, inclusive para me organizar, lavar roupas e planejar a continuidade da viagem. Já comecei a me habituar com o estilo de vida nômade e a controlar minha ansiedade quanto as incertezas do futuro, em geral tudo tem se encaminhado e a próxima estadia em Humaitá já está garantida, graças ao Couchsurfing.

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