Redescobrir

As pequenas grandezas no caminho

A Pérola do Tapajós

Queria muito conhecer Santarém e o tão consagrado entre viajantes Alter do Chão, entretanto haviam poucos usuários do couchsurfing disponíveis. Conheci uma garota Rebecca, que me apresentou o trabalho de uma ONG que atuava na região, e durante nossa conversa comentei sobre minha dificuldade de encontrar um lugar para ficar em Santarém, ela me disse que não poderia me hospedar mas que sabia de alguém que talvez pudesse, me passou o contato de uma amiga.

Minha chegada era eminente e tive uma noite pra conhecer minha possível host, conversamos um pouco pela internet, era o primeiro couch de Bruna mais ainda assim ela se mostrou bastante receptiva em relação a minha hospedagem, me contou que iríamos compartilhar o apartamento com mais alguns hóspedes de quatro patas, seus seis gatinhos e me descreveu Santarém como: “A cidade é de uma beleza encantadora e tem um povo simples, receptivo e de riso facil, nossas iguarias são diferentemente delicosas.”

Cheguei na cidade com os barcos tradicionais da região que levam seus passageiros acomodados em redes, e caminhei do porto em direção ao shopping da cidade, local onde Bruna trabalhava, parei para uma cerveja e logo depois, bem próximo ao meu destino final, fui tomar um caldo quente. Estava sentado quando avistei um rosto familiar, mas estava com um pouco de fome e continuei focado no caldo, a pessoa se aproximou, era Rebecca, meu primeiro contato em Santarém, conversamos um pouco e ela me disse que sua amiga logo viria para me receber, nos despedimos e alguns minutos depois chegou Bruna.

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Bruna me levou para seu apartamento, apresentou meus novos coleguinhas felinos e voltou para o trabalho, estávamos um pouco tímidos ainda, mas ela foi muito gentil desde o início. No dia seguinte conhecemos seu amigo Seth, um historiador americano de Los Angeles que trabalha há alguns meses no Instituto Esperança, apesar de falar muito bem português, ele era um pouco incompreendido e sofria com sua inconformidade aos valores de algumas pessoas da região.

Na cidade de Santarém um lugar que eu gostaria muito de conhecer era o mercado municipal, muito famoso na região amazônica por ser um dos mais baratos e com os alimentos mais frescos, apresenta uma grande variedade e a maior parte da produção é da própria região. Lá pude encontrar o tradicional Tucupi, farinha de todos os tipos, e comprar frutas como um abacaxi, pela bagatela de 25 centavos. Além das frutas cultivadas algo muito interessante interessante eram as frutas selvagens, que são coletadas diretamente da floresta como por exemplo ingá, uxí, maracujá-de-macaco. Sempre me sinto muito bem em mercados públicos, acho que são lugares onde se pode ver a verdadeira essência de cada cidade, passam por lá os mais variados tipos de pessoas, com as mais variadas histórias de vida, com a guarda baixa para pressões sociais, escolhendo seu alimento junto à sua origem, direto da mão do agricultor, acredito que os mercados públicos são aulas de antropologia ao vivo.

Já que estamos no assunto de frutas, uma coisa que gosto muito é comer fruta no pé da árvore, acho que isso é de família, em Santarém existem várias árvores de várias qualidades de manga, grande, pequena, com fiapo, sem fiapo, mas minha amiga Bruna me levaria para colher mangas em um lugar muito esperado: Alter do Chão. Pegamos um ônibus de linha, que leva de Santarém até a cidade de Alter por algo em torno de 2 reais, Seth nos acompanhou e fomos queimando um no caminho, devoramos uns “salames” feitos de chocolate, frutas secas e castanhas, e em seguida fomos conhecer um amigo de Bruna, Gil, um figuraça que é parada obrigatória na cidade, um tiozão hiperativo, tá sempre de festa, e já fez uma participação especial em um clipe do Michael Jackson (é serio).

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No rio durante a época de seca formam-se arquipélagos de areia, nos quais as pessoas se banham, fazem pic-nics, e outras atividades de verão, mesmo sendo o inverno, a cheia (época de calor e chuva na região amazônica) Bruna foi se banhar, eu e Seth fomos conhecer um pouco mais da cidade. No final da tarde ficamos na casa de Gil, que é na beira do rio, e tem uma bela visão para o pôr do sol, passamos um ótimo dia, conhecemos várias pessoas e trocamos muitas ideias, voltei para Santarém sentindo meu dia completo.

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