Redescobrir

As pequenas grandezas no caminho

Injustificativa

Sempre tive uma vida confortável em termos materiais mas ainda assim algo me inquietava, ou talvez a ausência de algo.

Percebi que “Work Hard, Play Hard” pra mim não vira: Eu quero comer fruta fresca com os pés enterrados na areia, subir na caçamba de um caminhão sem rumo certo, dormir na casa de um desconhecido e brincar com seu cachorro pela manhã, sua minha pele em todas as cores, sentir a cadência de todos os tambores, nadar pelado no rio, correr molhado e sentir o frio, cantar, gritar, chorar, sorrir, lembrar… e sorrir outra vez.

Decidi que ao invés de ficar reclamando dos políticos, sistema e conservadores, iria reconduzir o rumo pelo qual minha vida seguia, viveria cada momento intensamente, não de uma maneira hedonista mas sim buscando estar presente e saborear cada vivência que se apresentasse.

Agora todas minhas posses cabem em duas mochilas me acompanharão em um vivência nômade que venho planejando faz algum tempo. Busco nessa experiência não uma fuga, mas uma aproximação do que essencialmente me completa e vinha se perdendo no breu dos prédios cinzas, quero me redescobrir na cor de cada detalhe que possa um dia ter passado em branco.

Tendo em conta a tendência humana de se apegar ao seguro e conhecido, facilitarei a fluidez das minhas interações com o universo percorrendo o caminho de carona e levando comigo menos que um salário mínimo por mês, vinte reais ao dia para para arrumar onde dormir, o que comer e como me transportar.

Não há muitas regras nem um cronograma fechado, mas a ideia é durante doze meses percorrer o trajeto desde Mato Grosso, onde trabalharei em um programa de saúde indígena, com destino ao México, buscando encontrar no caminho projetos e pessoas dispostas a deixar um mundo melhor pra quem está por vir.

“Use o sorriso pra mudar o mundo, não deixe o mundo mudar seu sorriso.”