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As pequenas grandezas no caminho

Meus primeiros passos na Colômbia

Bucaramanga foi uma experiência interessante no sentido de romper paradigmas e preconceitos, geralmente quando converso sobre minha viagem com outras pessoas, muitas comentam “Ah mas você é homem, assim tudo fica mais fácil” E por mais que eu argumente, mostre blogs de mulheres, e até meninas que estão mochilando sozinhas por ai, é muito difícil convencer as pessoas de que a experiência independe de gênero, e não estou sendo hipócrita negando a existência do machismo, se tem um idioma que é falado no mundo inteiro, é o machismo. E minha história é justamente sobre a percepção dos nossos próprios tabus.

Imagina, estamos falando do medo das pessoas de pegarem carona e dormirem na casa de desconhecidos, mas e quem está do outro lado? O motorista ou o dono da casa, será que não estão com a mesma insegurança que nós? Eu também fui viajar cheio de medos e preconceitos, achando que rico não ajudava, que carro bom não parava, (foi provado o contrário no post de Saint Laurent) e achei que seria muito difícil ser hospedado por mulheres,  e adivinha onde fiquei em Bucaramanga, a primeira cidade Colombiana que visitei na minha vida? Em um lindo apartamento na parte nobre da cidade, onde morava uma mulher por volta dos 50 anos com sua filha que tinha a minha idade.

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Já, de cara, vários pré-conceitos sendo triturados ali na minha frente, lembro que na época meu laptop estava com defeito, e fiquei quase duas semanas naquele apartamento tentando encomendar peças, e elas sempre me deixando muito à vontade, me incluindo nas atividades da casa, me recomendando lugares para visitar e fotografar, em uma dessas conversas me recomendaram Barichara e San Gil, umas cidadezinhas históricas que decidi visitar enquanto esperava chegarem as peças do computador.

O problema que tive com meu laptop gerou um gasto alto, que não estava previsto no meu orçamento, portanto mesmo querendo visitar esses vilarejos que me recomendaram Natalia e sua mãe, não poderia aumentar meus custos, e sendo esses vilarejos locais tão pacatos, foi impossível encontrar couchsurfing nas redondezas. Mas dinheiro nunca foi motivo para eu fazer ou não algo que queria, e não seria nesse momento diferente, peguei uma muda de roupa, meu equipamento fotográfico e parti.

 

“Chegando em San Gil, comecei a bater de porta em porta nas pousadas oferecendo uma sessão de fotos para serem utilizadas em anúncios e redes sociais, em troca de minha hospedagem por alguns dias, e por incrível que pareça, só precisei perguntar em três locais até aceitarem a posposta.”

 

Isso é algo que faço muito em minhas viagens, troca de serviços, é o famoso ganha-ganha, a dona da pousada contratou um caro serviço de fotografia profissional por algumas diárias de um quarto que estava vago, e eu economizei algumas centenas de reais me hospedando confortavelmente no centro de uma cidade turística. Isso é algo que recomendo a todos os viajantes low cost, da para economizar muito com a troca de serviços. Todo mundo tem alguma habilidade para oferecer, não precisar ser necessariamente fotografia, pode ser pintura ou desenho, fazer um cartaz para algum restaurante, um desenho na lousa, cozinhar para uma família, fazer malabarismo no farol, costurar, lavar prato, seja lá qual for sua habilidade, sempre há alguém que precise dela, é só quebrar o medo de se expor, oferecer trabalho é algo bem visto na maioria das culturas.

Vou publicar algumas fotos que fiz em Barichara, que foi a cidade que mais me chamou atenção entre elas por questões arquitetônicas e históricas, fiquei alguns dias por lá e logo regressei à Bucaramanga, na verdade agora olhando o mapa não tenho certeza se voltei a Bucaramanga ou se já de uma vez parti para Bogotá, que seria minha próxima parada, em todo caso, estarão aqui as fotos.

Bogotá, a capital da Colômbia, um lugar que queria muito conhecer, e tinha um contato de viagens por lá, uma amiga, parceira de mochila que conheci em Buenos Aires na argentina, e viajamos juntos por algumas semanas, já havia entrado em contato com ela, que estava viajando e chegaria nos dias seguintes, já de antemão me passou o contato de uma outra amiga que estava na cidade, e que poderia me receber enquanto ela não chegasse.

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